Olá, vamos desmistificar algumas coisa que ouvimos e são tratadas como “verdade”.
Primeira coisa que gostaria de esclarecer é a função das glândulas sudoríparas:
- Dr. Emmanuel França: “Glândulas secretoras humanas São basicamente divididas em dois tipos: apócrinas e écrinas.
As glândulas écrinas estão distribuídas por toda a superfície cutânea, onde são responsáveis pela termorregulação por meio da produção de suor. Em contraste, as glândulas apócrinas apresentam uma distribuição limitada, envolvendo a axila, pele genital, e seios. Elementos apócrinas também são encontrados nas áreas periorbital e periauricular.
As glândulas apócrinas não têm nenhum papel termorregulador, mas são responsáveis por odores característicos ferormonais ( Spearman, Richard). Elas secretam uma pequena quantidade de líquido oleoso, que é inodoro, ao atingir a superfície da pele. O odor característico é devido à decomposição de bactérias no líquido oleoso.”
- J. Strauss,Kligman, J Labows, McGinley: “A axila humano é preenchido com duas classes de glândulas sudoríparas: As glândulas écrinas produzem uma secreção aquosa em resposta ao calor. Glândulas apócrinas produzem MICRO GOTÍCULAS de uma secreção viscosa em resposta ao estresse emocional ( NERVOS ADRENÉRGICOS). Suor apócrina é uma mistura complexa contendo colesterol, esteróides, lípidos e outros, bem como 10% de proteína. Ele foi reconhecido já em 1956 que o odor axilar é gerada a partir da secreção apócrinas. Trabalhos recentes sugerem duas classes de odores na axila: ácidos graxos de cadeia curta, e.g. ácido isovalérico, e os esteróides andrógenos, especialmente o 5-alfa-androstenol e 5-alfa-androstenona “.
Recapitulando:
Bem, o mito do excesso de suor que causa odor pode ser derrubado, A DENSIDADE DE ÉCRINAS NAS AXILAS PODE CHEGAR A 600/CM2. (Pierard et al., 2003). o odor é causado pelo suor apócrino, porém ele por si só tem odor considerado almiscarado ou sem odor, o problema são as bactérias da microbiota residente axilar! independente da quantidade de suor, pois o suor écrino sim é responsável pela “pizza” ou suor que “lava” as axilas, o apócrinoNÃO! . Conforme foi mencionado acima por J. Strauss. et al e Pierard el al, as glândulas apócrinas produzem MICRO GOTÍCULAS DE SUOR APÓCRINO! , logo EXCESSO DE SUOR NÃO ESTÁ LIGADO À BROMIDROSE! , o que pode acontecer é devido a uma determinada situação estressante( adrenalina está ligada a liberação de suor apócrino vide: MALODOR AXILLARY, A NEW MECHANISM nos posts mais recentes!) e/ou presença das BACTÉRIAS, o suor écrino e apócrino podem se misturar apesar de seus ductos possuírem terminais diferentes, sendo utilizado pelas bactérias e causando o mal odor!
Quantas pessoas que possuem hiperidrose severa você conhece e que não tem bromidrose? Eu conheço pessoas que com 15ºC e após tomarem banho( meus professores e colegas de facul kkk) estão com um “RIO” debaixo do braço!
Por fim, “Apocrine secreções têm sido postuladas para conter feromonas, que são moléculas que provocam determinados comportamentos (por exemplo, sexual ou de alarme) em que o indivíduo receptor “(Grice e Segre, 2011). (O excesso dessa produção de dopamina aumenta a noraepinefrina e consequentemente o cortisol), ou seja, ativação das apócrinas!)
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
- Realationship Between Hyperhidrosis and Bromidrosis; Masumi Inaba M.D. , Yoshikata Inaba M.D.;
- Ohashi J, Naka I, & Tsuchiya N (2010). The impact of natural selection on an ABCC11 SNP determining earwax type. Molecular biology and evolution PMID: 20937735;
- Pierard GE, Elsner P, Marks R, Masson P, Paye M, Grp E (2003) EEMCO guidance for the efficacy assessment of antiperspirants and deodorants. Skin Pharmacol Appl 16 (5):324-342. doi:Doi 10.1159/000072072
- Dr. Emmanuel França, http://www.emmanuelfranca.com.br/doencas/doencas_bromidrose.html;
- J.S. Strauss and A.M. Kligman, The bacteria responsable for axillary odor I. J. Invest. Dermato. , 27, 61-71 (1956);
- J.N. Labows, K.J. McGinley, and A.M. Kligman, Perspectives on axillary odor, J. Soc. Cosme. Chem., 34, 193-202 (1982);
- Spearman, Richard Ian Campbell (1973). O Integument: Um Manual para a biologia da pele .Estrutura e função biológica Books 3 . Arquivo CUP. p. 137. ISBN 9780521200486 .
- Wilke et al. 2007 , p. 171.
- Grice EA, Segre JA (2011) The skin microbiome. Nat Rev Microbiol 9 (4):244-253. doi:Doi 10.1038/Nrmicro2537
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