sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Microbiota Axilar

Olá primeiramente postar o artigo que li e que vou resumir(isto é feito no final, mas vou fazer agora):
  • Revista Eletrônica de Farmácia, Suplemento Vol 2 (2), 56 -59, 2005. ESTUDO DA MICROBIOTA BACTERIANA AXILAR DE VOLUNTÁRIOS RESIDENTES NA CIDADE DE GOIÂNIA-GO  autores:COSTA, Fabíola1; CUNHA, Luiz Carlos2, SERAFINI, Álvaro Bisol3;
Olá, vou resumir o que esses dois artigos querem dizer:
O corpo humano principalmente axilas, produzem alguns tipos de odores, em decorrência principalmente de bactérias e agravadas pela oclusão do local, o que aumenta a temperatura e umidade da área. Pois bem, nas axilas são encontradas vários tipos de bactérias, que compõem a microbiota residente e a microbiota transitória da região axilar, conforme Costa et al : “A microbiota residente é composta de pequeno número de microrganismos presentes na superfície do
extrato córneo, parte superior do folículo piloso e nas glândulas sebáceas, em um ponto profundo e de difícil eliminação. Por outro lado, a microbiota transitória se constitui de grande variedade de microrganismos, na superfície da pele, facilmente eliminada por simples higienização (VIGLIOGLIA & RUBIN,1991). Dentre os diferentes gêneros bacterianos que compõem a
microbiota residente encontram-se o Staphylococcus coagulase negativa e o Micrococcus, responsáveis pelo odor axilar clássico do ácido isovalérico, bem como o gênero Corynebacterium, responsável pelo odor axilar pungente dos
esteróides androgênicos, além do Propionibacterium, Streptococcus e Sarcina (JACKMAN & NOBLE,1983).Já a microbiota transitória é composta de bactérias Gram-negativas, presentes no trato gastrointestinal e que, de acordo com
BORICK & SARRA (1960), podem ser passadas das mãos para as axilas, graças à má higiene. “.
Para complementar: no artigo do Alexandre Ferreira: “A microbiota axilar foi estudada inicialmente pelos métodos tradicionais de cultura. Os resultados indicaram que essa microbiota é constituída principalmente de bactérias gram-positivas dos gêneros Staphylococcus, Micrococcus, Corynebacterium e Propionibacterium (Leyden et al. 1981), sendo que a proporção relativa desses micro-organismos varia entre os indivíduos. No geral espécies de Staphylococcus ou corineformes aeróbicos (espécies predominantemente do gênero Corynebacterium) prevalecem nas axilas e, em uma minoria de indivíduos, a espécie dominante é Propionibacterium (Taylor et al., 2003)”
Pois bem, vamos ao que interessa!
1º) Quais então são as bactérias que causam odor( a nível de ESPÉCIE)  já que são da microbiota residente e vivem na parte média-superior do folículo piloso? fungos causam odor axilar?  R: S. coagulase negativa, Micrococcus e principalemte Corynebacterium,fungos não causam odor axilar, nem ácaros que também vive na axila, explicação abaixo:
img1   ao ampliar essa imagem, verão no círculo azul( glândulas apócrinas) e círculo vermelho( glândulas écrinas), as bactérias que causam odor se localizam na parte média-superior do folículo pilosos, onde desemboca a secreção apócrina e sebácea.
Primeiro, excluamos MO da microbiota transitória como produtores de odor e fungos( apesar da presença dos gênero Malassezia spp e Cândida spp), e ácaros ( artrópodes/animais) e até vírus.
A produção de mau cheiro nas axilas pode ser atribuído principalmente à ação da microbiota residente (Leyden et al., 1981; Taylor et al., 2003). A quantidade de MOs presente na axila, em especial aeróbios totais e corineformes aeróbicos (basicamente espécies do gênero Corynebacterium), mostra associação com a intensidade do mau cheiro produzido. A identificação a nível de espécies usando o sequenciamento do gene 16S rRNA de colônias de Corynebacterium isoladas a partir de cultura mostrou que a maioria apresenta alta similaridade com Corynebacterium sp. G-2 CDC G5840. Outra espécie dominante encontrada foi a Corynebacterium mucifaciens DMMZ 2278. Foram encontradas também as espécies Corynebacterium afermentan, Corynebacterium amycolatum, Corynebacterium genitalium, Corynebacterium riegelii e Corynebacterium striatum (Taylor et al., 2003). Essas bactérias produzem o odor do tipo apócrino que é relacionado à produção de moléculas de mau odor como tioalcoóis e/ou Ácidos Graxos Voláteis (VGAs) de cadeia média (C6-C10) (James et al., 2013).
Espécies de Micrococcus capazes de produzir mau odor também são encontradas. Contudo, a baixa prevalência e densidade desse gênero nas axilas provavelmente as excluem de um papel importante na produção do mau odor axilar. A presença de estafilococos na axila está associado com a produção do odor do tipo ácido e fraco (não-apócrino). Esse odor está relacionado à produção do AGV de cadeia curta (C2-C5) como o ácido isovalérico (James et al., 2013). Propionibacteria e o fungo Malassezia, por sua vez, não contribuem para o mau cheiro axilar (Taylor et al., 2003).”
Recapitulando:
Conforme foi explicado: Staphylococcus coagulase negativas( dentre eles o S. epidermidis e S. hominis) e Micrococcus, estão relacionados à produção de odor de ácido fraco, ou ácido Isovalérico, relacionado à produção do AGV de cadeia curta (C2-C5) James et al., 2013). Já as corineformes aeróbicos (basicamente espécies do gênero Corynebacterium), produzem odor o tipo apócrino que é relacionado à produção de moléculas de mau odor como tioalcoóis e/ou Ácidos Graxos Voláteis (VGAs) de cadeia média (C6-C10) (James et al., 2013), além de metabolizarem androstenois e androstenonas, que são ferormônios liberados pelas apócrinas. E elas estão localizadas na região média-superior do folículo piloso.( então me venha com um sabonete tentando diminuir a população dessas bactérias, até porque, elas estão em locais de difícil remoção!)
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
  • Revista Eletrônica de Farmácia, Suplemento Vol 2 (2), 56 -59, 2005. ESTUDO DA MICROBIOTA BACTERIANA AXILAR DE VOLUNTÁRIOS RESIDENTES NA CIDADE DE GOIÂNIA-GO  autores:COSTA, Fabíola1; CUNHA, Luiz Carlos2, SERAFINI, Álvaro Bisol3;
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